Posted by : Maximiliano Crespi miércoles, marzo 23, 2011


Pesquisar é per quaere, querer através de, idéia que o materialismo clássico reprimiu, ao substituir a causa pelo dever ser, o quaere pelo quamobrem, o determinismo pelo destino, o passado pelo futuro. Como já observava Georges Bataille, no papel funcional que, inconscientemente, deu-se à idéia de ciência, a necessidade de uma autoridade exterior impôs o dever ser de toda aparência, sequestrando o querer, esquecendo-se do meio (per) e, assim, para a maior parte dos materialistas—ao menos, dos materialistas sublimes—a conformidade da matéria morta com a idéia de ciência acabou por substituir as relações, no fundo religiosas, estabelecidas anteriormente entre a divindade e suas criaturas. Mesmo Octavio Paz, tão cauteloso sempre, quando de baixos materialismos se tratava, definia o querer como uma busca apaixonada, amorosa. “Búsqueda no hacia el futuro ni el pasado sino hacia ese centro de convergencia que es, simultáneamente, el origen y el fin de los tiempos: el día antes del comienzo y después del fin”. O ativo e o passivo, o informativo e o entrópico, o transitivo e o corolário.
O pesquisador, portanto, pesquisa sempre uma vertigem e um vazio. Cria, aliás, vertigem e vazio com sua pesquisa. Agir de modo contrário seria corroborar a fábula e o mito, quando a  tarefa do pesquisador é, pelo contrário, desmontar ficções. Porque talvez o mais importante na pesquisa nem seja tanto o quaere, mas o per. O pesquisador atravessa diversos regimes de verdade para iluminá-los como outras tantas construções discursivas, em nada naturais, necessárias ou infalíveis. Pesquisar é pensar e agir sobre os meios.
Lacan dizia que o saber é algo mais disseminado, no mundo, do que imagina o ensino e, acrescentaríamos, até mesmo mais vasto do que imagina a pesquisa. Porque, a rigor, o trabalho da pesquisa é como o trabalho da imagem, ou o trabalho da política, eles também, um puro meio. A pesquisa é um sintoma (uma interrupção no saber acumulado, meramente opinativo) e, ao mesmo tempo, enquanto experiência, ela é também conhecimento (uma interrupção no caos da simples vivência). Um aspecto estabiliza; o outro, desestabiliza. E o pesquisador equilibra-se entre ambos, desequilibrando-se.
Ao agradecer este reconhecimento, quero dizer que o aceito como reconhecimento ao per, ao atravessamento, que alguns também chamam de sujeito ou, simplesmente, de linguagem.

*Fragmento del discurso proferido al recibir la distinción "Destaque Pesquisador UFSC 50 Anos", el 19 de marzo de 2010. Fuente: Revista Sopro, n° 47, marzo de 2011.

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Maximiliano Crespi

Es licenciado en Letras por la UNSur y Doctor en Letras por la UNLP, especializado en Teoría y Crítica Literaria e Historia Cultural e Intelectual Argentina y Latinoamericana. Es docente e investigador del Centro de Estudios de Teoría y Crítica Literaria (IdIHCS-FaHCE-UNLP) y del CONICET. Trabaja parte del Observatorio de Literatura Argentina Contemporánea (OLAC) y participa del Colectivo de Trabajo Intelectual “Materiales”. Ha colaborado con la Historia Social de la Literatura Argentina dirigida por David Viñas y con la Historia Crítica de la Literatura Argentina dirigida por Noé Jitrik. Antologó, editó y prologó obras de Jaime Rest, David Viñas y Raúl Antelo. Ha colaborado publicado textos críticos y teóricos en numerosas revistas especializadas y en diversos volúmenes colectivos. Es autor de Grotescos, un género (2006), El revés y la trama. Variaciones críticas sobre Viñas (2008), La conspiración de las formas. Apuntes sobre el jeroglífico literario (2011) y Jaime Rest: función crítica y políticas culturales (1953-1979). De Sur al CEAL (2013) y Los infames (2015).
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